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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Muito além do Jardim


Em 1979, o diretor Hal Ashby, até então desconhecido do grande público, ousou adaptar a obra de Jersy Konzinsky: "Being There". O astro Petter Sellers, consagrado pela série de filmes da Pantera Cor de Rosa, chegou a mandar um telegrama para Konzinsky, demonstrando a sua enorme vontade de interpretar a personagem principal. Pois bem, Ashby realizou um dos maiores filmes daquele ano: "Muito Além do Jardim". Nele, o funcionário Chance (Sellers) é obrigado a encarar a vida de frente após a morte do patrão. Não seria um grande problema se ele soubesse como era a vida real. O fato é que Chance jamais havia saído da mansão em que trabalhava, e desde criança uma das suas poucas companhias era o jardim que cuidava e a televisão . A cena da saída do jardineiro da casa é embalada pelo tema do "Homem na Lua", metaforizando os primeiros passos de um homem em um território totalmente desconhecido.

O destino, por sua vez, é gentil com Chance, que após prensar a perna na limusine de um magnata (Melvyn Douglas, em papel que lhe deu o Oscar), é convidado por ele e sua esposa Eve (Shirley MacLaine) à passar a estadia de recuperação em seu casarão. Ao longo do filme, Chance conhece o então presidente americano, e se torna uma famosidade nacional, devido ao seu bom humor e vocabulário sucinto. Na verdade, o jardineiro beira o retardo mental e desconhece o significado da maioria das palavras, se restringindo à proferir as mais básicas do cotidiano, como "sim", "não" e "obrigado". Mesmo assim, ele conquista o coração de Eve, puramente pela sua simplicidade.

O filme se desenvolve em tom de fábula, cuja moral da história mostra quão a realidade pode ser diferente fora das telas, que se acompanhadas em exaustão, acabam alienando o público e limitando significativamente a capacidade de raciocínio, como ocorreu com Chance.

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