
Considerada pelos entendidos como a última grande estrela de Hollywood, Elizabeth Taylor faleceu em março último, aos 79 anos. Sua morte, decorrente de uma série de complicações cardíacas, virou evidentemente manchete do planeta. Tomou conta dos Trending Topics do Twitter, rede social de microblogs que Liz por sinal era inscrita e postava conteúdo regularmente.
Junto com a diva dos olhos violeta, vai-se também a Era de Ouro do Cinema, segundo os críticos mais contundentes. Liz iniciou cedo sua carreira artística. Nos anos 40, quando ainda era uma jovem garota, protagonizou filmes como "A mocidade é assim mesmo", ao lado de Mickey Rooney, e dois filmes da lendária série da cadela "Lassie". De lá pra cá, Liz projetou uma carreira esplêndida, sempre trabalhando ao lado de grandes artistas, e rapidamente também se tornou uma delas.
A primeira indicação ao Oscar veio em 1957, por "A Árvore da Vida", em que contracenou com Montgomery Clift e Eve Marie Saint. A partir daí, Liz conheceria o auge de sua trajetória artística. Em 1960, levou o Oscar de Melhor Atriz pelo papel de uma prostituta de luxo em "Disque Butterfield 8". Após o prêmio, Liz passaria 3 anos longe das telonas até estrelar o épico "Cleópatra", e se consolidar como a primeira atriz da história a receber 1 milhão de dólares de cachê. Seu par romântico era o seu atual marido Richard Burton. Foi o primeiro de nove filmes que o casal estrelou juntos. Aliás, em matrimônios Liz também era mestra. Foram um total de 8 casamentos, dois deles com Burton.
Pode-se dividir a carreira da diva em antes e depois de "Quem tem medo de Virginia Woolf?", de 1966, o filme em que Liz se desfez de todo o seu glamour para encarnar a estúpida Martha. O papel lhe valeu seu segundo Oscar. Após este filme, a sua filmografia foi entrando em declínio e os grandes filmes em que participava eram cada vez mais escassos. Porém, ela era sempre a estrela absoluta, atuando em boas películas como a atormentada Ellen no suspense "Vigília nas Sombras". O último filme que fez para o cinema foi "Os Flinstones", em 1994. A carreira de Liz serve de metáfora para a qualidade e poder que o cinema sofreu ao longo das décadas.
Engajada em causas humanitárias, em especial aos aidéticos, Elizabeth Taylor doou numerosos fundos para os portadores da doença e recebeu seu terceiro prêmio da Academia em virtude de sua participação solidária. Para seus conhecidos fica a lembrança da "magnitude que ela era como amiga e como atriz", segundo a colega Shirley MacLaine. Para os fãs fica a extensa filmografia e momentos memoráveis de seus filmes. Para ambos, a imagem dos seus maravilhosos olhos violetas, que enfim se fecharam.